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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Ericeira

terça-feira, 20 de agosto de 2013

da Ericeira para o exílio

Retratos do fim da Monarquia 
O último momento da monarquia portuguesa: da Ericeira para o exílio 





Durante a revolução republicana, no início de Outubro de 1910, os tiros de canhão atingem o Paço das Necessidades, quase atingindo os aposentos do rei D. Manuel II. A Família Real não pode deixar de recordar o momento do regicídio e tudo faz para, imediatamente, se colocar a salvo. Estão praticamente entregues a si próprios, contando apenas com a ajuda de algumas pessoas mais chegadas, amigos sobretudo.A revolução republicana começara, na prática, no dia três de Outubro. Durante dois dias instala-se a confusão nos círculos políticos e militares, não se percebendo que rumo estava a tomar a revolução. Na verdade, os republicanos não tinham a certeza de estar a conseguir uma vitória o que leva, por exemplo, o Almirante Cândido dos Reis ao suicídio e ao espanto dos revolucionários pela facilidade da implantação da República.Por seu lado o governo monárquico aconselha o próprio rei a fugir para se salvar.Assim, D. Maria Pia e D. Amélia seguiram directamente de Sintra para Mafra e D. Manuel II, ao fim da tarde do dia 4 de Outubro, viaja de automóvel para Mafra, para se encontrar com o marquês do Faial e com o conde de Sabugosa. Por essa altura, o infante D. Afonso já saíra de Cascais a bordo do iate real “Amélia”, em direcção à Ericeira.A Família Real reúne-se em Mafra, onde pernoita no Palácio da localidade, aguardando com esperança, a evolução dos acontecimentos. Sinónimo da fuga apressada é o facto de alguns membros da nobreza lhes terem de fornecer algum vestuário necessário, por exemplo para dormir.Com o hastear da bandeira republicana em Mafra, a Família Real compreende que a monarquia chegou ao fim. Seguem para a Ericeira para alcançar o iate real “Amélia”, que os espera ao largo. Viajam em caravana automóvel, com um grupo de fiéis servidores, escoltados por um pequeno corpo de cavalaria. Reduzem a sua bagagem ao mínimo indispensável, sobretudo bens pessoais, o que invalida a acusação da época de que o monarca terá levado as riquezas da Casa Real consigo. Entretanto, vão chegando à Ericeira alguns membros da nobreza que, deste modo, querem demonstrar a sua lealdade para com o rei deposto.Um estranho cortejo, composto por uma vintena de pessoas, atravessa o areal da Ericeira, em direcção aos barcos dos pescadores que concordam em transportá-los para o navio real, sob o olhar e silêncio de dezenas de populares curiosos que observam do alto da povoação. No momento da despedida registam-se cenas de emoção e mágoa, por parte de alguns serviçais que ficarão em Portugal, mantendo-se, no entanto sempre uma atitude de dignidade por parte dos monarcas. Neste momento, a primeira intenção era rumar à cidade do Porto e daí organizar a contra-revolução ou directamente para Londres mas prevalece a decisão de rumar a Gibraltar, onde chegam a 7 de Outubro, destino mais consentâneo com a capacidade de velejar do navio e onde podem contar com a protecção dos aliados ingleses.Na Família Real seguiam a Rainha D. Maria Pia, viúva de D. Luís, avó do rei D. Manuel II, que, juntamente com o Príncipe Herdeiro D. Afonso, seguiria para a Itália. Passados alguns meses faleceu, pedindo que, na hora da morte, a virassem para o lado de Portugal.Em Gibraltar, D. Manuel II e a restante família foram bem recebidos e tratados com o respeito devido a um monarca. Na época, a Inglaterra tinha Jorge V, como rei. Este apressou-se a enviar o iate “Victoria and Albert”, escoltado por vasos de guerra, a Gibraltar para transportar o rei D. Manuel II, sua mãe, D. Amélia e seu tio D. Afonso, para Inglaterra, o que ocorre a 16 de Outubro. Na partida, em Gibraltar, tiveram direito a honras reais, na presença das autoridades, com direito a cerimónias que incluíram o hino nacional. Acompanharam-nos, no exílio, os condes de Sabugosa e Figueiró.Na chegada, em Plymouth, foram recebidos pelo conde de Howe, representante do rei inglês, de modo amigável, passando a habitar numa terra amiga.Era a última viagem de D. Manuel II como rei de Portugal. Era o exílio de alguém que, de facto, deixara de ser rei duas semanas antes.Como curiosidade e de acordo com alguns investigadores, refira-se que, no momento do embarque do areal da Ericeira terá chegado um automóvel, vindo de Mafra, com alguns revolucionários armados de pistolas, carabinas e bombas para assassinar a Família Real. Mas os seus membros já se encontravam no mar, inalcançáveis.


Foi na Praia dos Pescadores, na Ericeira, que a Família Real embarcou para o exílio na BarcaBomfim que os transportou ao iate D. Amélia que os aguardava Eis aqui, alguns pormenores do que se passou naquele dia na Ericeira, relatados por Júlio Ivo, presidente da Câmara Municipal de Mafra no tempo de Sidónio Pais:
“(…) os automóveis pararam e apeou-se a Família Real, seguindo da rua do Norte para a rua de Baixo, pela estreita travessa que liga as duas ruas, em frente quase da travessa da Estrela (…) Ao entrar na rua de Baixo, a Família Real ia na seguinte ordem: na frente El-Rei Dom Manuel; a seguir, Dona Maria Pia, depois, Dona Amélia (…) El-Rei e quem os acompanhava subiram para a barca, valendo-se de caixotes e cestos de peixe (…) O sinaleiro fez sinal com o chapéu, e a primeira barca, Bomfim, levando a bandeira azul e branca na popa, entrou na água e seguiu a remos, conduzindo El-Rei (…) A afluência nas ribas era imensa. Tudo silencioso, mas de muitos olhos corriam lágrimas (…) El-Rei ia muito pálido, Dona Amélia com ânimo, Dona Maria Pia, acabrunhada (…)
Ainda as barcas não tinham atracado ao iate, apareceu na vila, vindo do lado de Sintra, um automóvel com revolucionários civis, armados de carabinas e munidos de bombas, que disseram ser para atirar para a praia se tivessem chegado a tempo do embarque(…)”

Ericeira








Ericeira





interior da capela de s. sebastião







Ericeira














Discoteca Ouriço

Ericeira

Ericeira - jogo da bola






Ericeira, largo de Santa Marta

terça-feira, 30 de julho de 2013

ERICEIRA (Lisboa)

Garça real - Grey Heron no Rio Lizandro-Ericeira

Ericeira Surfing Surf Portugal

Parque Santa Marta, Ericeira, Portugal

PORTUGAL - ERICEIRA




A história da Ericeira remonta, assim, a cerca de 1000 a.C.. O seu primeiro foral data de 1229, concedido pelo então Grão-Mestre da Ordem de Aviz, Dom Frei Fernão Rodrigues Monteiro, que assim instituiu o Concelho da Ericeira.

É na carta de foral que surgem as primeiras referências aos pescadores da Ericeira, estando bem presente o cuidado do legislador em acautelar os direitos e deveres dos que se encontravam sujeitos às tutelas dos donatários:"(...) Quanto aos pescadores, dêem a vigésima parte do pescado que matarem no mar. De doze peixes, levem um para conduto antes de darem a vigésima parte, e se matarem congro, comam-no. Do pescado que encontrarem morto, não paguem foro. De baleia, dêem a vigésima parte. De toninhas e delfins sem impedimento, em ocasiões de fome (...)".
No século XIII, a baleia, toninha e delfim eram as espécies mais pescadas, tendo dado lugar, já no século XVI, à raia, ao rodo valho e à pescada. Em 1547, D. João III concede aos pescadores ericeirences a permissão de venderem o peixe "a olho" e não "a peso", costume que ainda há trinta anos se mantinha.
Novas cartas de foro concedidas por D. Afonso IV, em 1369, e por D. Manuel I em 1513, vieram nobilitar a vila concelhia, doada pelo mesmo D. Manuel ao infante D. Luís e por este ao seu filho natural D. António, prior do Crato, forte opositor à tomada do poder real por Filipe II de Espanha. Em 1589, no Forte de Milreu, D. António fez uma gorada tentativa de desembarque de tropas com o objectivo de conquistar o poder.

Ericeira há 50 anos atrás

Tapada de Mafra+Ericeira+Sobreiro

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Ericeira

Ficheiro:MFR-ericeira.png

foral da Ericeira
 
O burgo piscatório recebeu carta de foro em 1229, pelo Mestre da Ordem de Avis, Fr. Fernando Rodrigues Monteiro e foral novo de D. Manuel a 31 de Agosto de 1513. Em 1622, Filipe IV de Espanha criou o título de Conde da Ericeira, que atribuiu ao seu mordomo-mor, D. Diogo de Meneses. Iniciou-se aqui um período de desenvolvimento, que teve expressão no património edificado da vila: construção do palácio condal e dos paços do concelho; beneficiação de grande parte dos templos e expansão urbanística.

Município até 1855, o porto ericeirense foi um dos mais importantes da zona ocidental de Lisboa. Da praia dos pescadores, a 5 de Outubro de 1910, embarcou a família real portuguesa rumo ao exílio e, no último século, a vila transformou-se em destino turístico de eleição, característica que mantém até aos dias de hoje.


A população, noutros tempos constituída na generalidade por gente do mar, formou, durante muitos séculos, um grupo étnico-geográfico, denominado jagoz, diferenciado dos restantes habitantes da região saloia. Foi a partir do século XIX que a Ericeira conheceu a sua época áurea, primeiro com o seu concorrido porto e alfândega e, depois, com a arquitectura de veraneio, que ainda hoje singulariza alguns trechos urbanos da vila. O embarque para o exílio da Família Real Portuguesa, episódio que assinala o termo do Regime Monárquico Nacional, fará sempre do Porto da Ericeira um dos locais mais dramáticos da geografia do Concelho de Mafra.

As praias e os pesqueiros, bem como o património monumental e o gastronómico, com base numa variedade de peixes e mariscos, constituem os seus maiores atractivos.

A qualidade das suas praias e as condições propícias para a prática de surf fizeram da Ericeira uma das primeiras reservas de surf a nível mundial e a Praia de Ribeira d'Ilhas é paragem obrigatória para todos os amantes daquela modalidade.

Destacam-se ainda as seguintes festividades: Feira de Santiago (ou dos Alhos), que se realiza a 25 de Julho no Campo de S. Sebastião; Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, no domingo mais próximo de 20 de agosto; Festa de Nossa Senhora da Conceição, que tem lugar na vila a 8 de Dezembro; Festa da Sagrada Família, em Fonte Boa dos Nabos, no mês de Agosto.

JUNTA DA FREGUESIA DA ERICEIRA

Largo de Santa Marta, 9
2655-357 Ericeira
Telef.: 261862982
Fax: 261866159
e-mail: jfericeira@mail.telepac.pt
Site: www.ericeira.org
Ericeira é uma vila turística situada a 35 km a noroeste do centro de Lisboa, a 18 km de Sintra e a 8 km de Mafra. É uma freguesia portuguesa do concelho de Mafra, com 12,19 km² de área e 10260 habitantes (2011). Densidade: 841,7 hab/km².
Vila muito antiga, presumivelmente local de passagem e instalação dos Fenícios.
Reza a lenda que o nome Ericeira significa, na origem, "terra de ouriços", devido aos numerosos ouriços do mar que abundavam nas suas praias. No entanto, investigações mais recentes apontam o ouriço-cacheiro e não o do mar como inspirador do nome. Com a descoberta de um exemplar do antigo brasão da Vila, hoje no Arquivo-Museu da Misericórdia, confirmou-se que o animal ali desenhado é, de facto, um ouriço-cacheiro.
história da Ericeira remonta, assim, a cerca de 1000 a.C.. O seu primeiro foral data de 1229, concedido pelo então Grão-Mestre da Ordem de Aviz, Dom Frei Fernão Rodrigues Monteiro, que assim instituiu o Concelho da Ericeira.
É na carta de foral que surgem as primeiras referências aos pescadores da Ericeira, estando bem presente o cuidado do legisladorem acautelar os direitos e deveres dos que se encontravam sujeitos às tutelas dos donatários:"(…) Quanto aos pescadores, dêem a vigésima parte do pescado que matarem no mar. De doze peixes, levem um para conduto antes de darem a vigésima parte, e se matarem congro, comam-no. Do pescado que encontrarem morto, não paguem foro. De baleia, dêem a vigésima parte. De toninhasdelfins sem impedimento, em ocasiões de fome (…)".
No século XIII, a baleia, toninha e delfim eram as espécies mais pescadas, tendo dado lugar, já no século XVI, à raia, ao rodo valhoe à pescada. Em 1547D. João III concede aos pescadores ericeirences a permissão de venderem o peixe "a olho" e não "a peso", costume que ainda há trinta anos se mantinha.
Novas cartas de foro concedidas por D. Afonso IV, em 1369, e por D. Manuel I em 1513, vieram nobilitar a vila concelhia, doada pelo mesmo D. Manuel ao infante D. Luís e por este ao seu filho natural D. Antónioprior do Crato, forte opositor à tomada do poder real por Filipe II de Espanha. Em 1589, no Forte de Milreu, D. António fez uma gorada tentativa de desembarque de tropas com o objectivo de conquistar o poder.
Em 1855, na sequência de uma reordenação administrativa do território, a Ericeira deixou de ser concelho para ficar na dependência de Mafra, sede concelhia até aos dias de hoje.
A Ericeira conheceu no século XIX, a sua época áurea, enorme incremento, porquanto foi o porto mais concorrido da Estremadura, com alfândega, por onde se fazia o abastecimento de quase toda a província. A antiga importância comercial tem hoje correspondente no notável movimento turístico, resultante da situação e do clima privilegiado de que goza. O embarque para o exílio da família real portuguesa, episódio que assinala o termo do regime monárquico nacional, fará sempre do porto da Ericeira um dos locais mais dramáticos da geografia do concelho de Mafra.
A Ericeira é também conhecida em termos de surf devido às ondas da zona, que os surfistas dizem ser diferentes. Tem praias muito conceituadas para a prática do surf como a Ribeira de ilhas (reserva mundial do surf), praia dos cochos, entre muitas outras. Também e bastante praticado o kyte-surf, wind-surf, bodyboard e surf com remo. A Ericeira é de resto a 1ª reserva mundial de surf da Europa e 2ª do mundo. Esta vila também é boa para os banhistas tendo bastantes hotéis e praias de boa qualidade como a praia dos pescadores, praia do norte e praia de São Lourenço.
Deve-se ao porto da Ericeira o desenvolvimento da vila, noutros tempos habitada quase só por gente do mar, que formou durante muitos séculos um grupo étnico-geográfico denominado Jagoz, diferente dos restantes habitantes da região Saloia. O movimento comercial do porto da Ericeira tornou-o num pólo fundamental da economia da região. Relatos datados de 1834 dão conta de que nesse ano ali fundearam 175 embarcações, que ora transportavam produtos para a vila - principalmente cereais - que de ali eram distribuídos para o interior do país, ora os exportavam para os portos do Algarve, ilhas e outros - especialmente vinhos e seus derivados.
Alfândega da Ericeira abrangia então uma área que se estendia de Cascais à Figueira da Foz, sendo o seu porto considerado o quarto mais importante do país, atrás dos de Lisboa, Porto e Setúbal. Com a construção do caminho-de-ferro do Oeste e o desenvolvimento dos transportes terrestres, o porto da Ericeira foi perdendo importância. Nos finais do século XIX instalaram-se na vila armações fixas de pesca da sardinha que vieram alterar as antigas características piscatórias, mas que tiveram um papel sócio-económico importante, chegando a empregar, só na faina do mar, à volta de 500 homens.
Mas se a vila deixou ao longo do século XIX de ser um entreposto comercial, nunca perdeu a visita de "forasteiros", desta vez deveraneantes que passaram a procurá-la devido às suas características climáticas e ao alto teor de iodo das suas praias. Charles Lepierreengenheiro químico, considerou-as, há cinquenta anos, como "o fulcro da maior concentração de iodo de toda a costa portuguesa". Hoje, a Ericeira continua a ser uma das zonas do litoral do país mais procuradas para banhos.
Em 1958 depois de fartos do elevado número de tragédias ocorridas na Ericeira, uma comissão de moradores reuniu-se com o Ministro, Eng. Arantes e Oliveira para a construção de um molhe. A construção deste apenas começou em 1973, mas desde cedo o seu desenho foi criticado pelos pescadores por estar na zona de pancada do mar, onde a força da rebentação é mais forte. Isto veio a ser demonstrado, quando em 1977 o mar partiu o molhe em dois, seguido de muitos outros estragos ao longo dos tempos. Um desses estragos levou à queda do farol que havia sido instalado na ponta do molhe.


Fuga da Família Real
O episódio da fuga de D. Manuel II para o exílio, da Praia dos Pescadores, na Ericeira, tornou-se num marco da história da vila no últimoséculo. Eram cerca das 15 horas do dia 5 de Outubro de 1910 quando D. Manuel II, então com vinte anos, acompanhado da mãe, a rainha D. Amélia, e da avó, a Rainha D. Maria Pia, vindos de Mafra, surgiram de automóvel na vila para embarcarem no Iate D. Amélia, fugidos da revolução republicana que estalara na véspera em Lisboa. Os pormenores do que se passou naquele dia na Ericeira são-nos relatados por Júlio Ivo, presidente da Câmara Municipal de Mafra no tempo de Sidónio Pais, e que em 1928 inquiriu a população da vila:"(…) os automóveis pararam e apeou-se a família real, seguindo da rua do Norte para a rua de Baixo, pela estreita travessa que liga as duas ruas, em frente quase da travessa da Estrela (…) Ao entrar na rua de Baixo, a Família Real ia na seguinte ordem: na frente El-ReiD. Manuel; a seguir, D. Maria Pia, depois, D. Amélia (…) El-Rei e quem os acompanhava subiram para a barca, valendo-se de caixotes e cestos de peixe (…) O sinaleiro fez sinal com o chapéu, e a primeira barca, Bomfim, levando a bandeira azul e branca na popa, entrou na água e seguiu a remos, conduzindo El-Rei (…)
A afluência nas ribas era imensa. Tudo silencioso, mas de muitos olhos corriam lágrimas (…) El-Rei ia muito pálido, D. Amélia com ânimo, D. Maria Pia, acabrunhada (…) Ainda as barcas não tinham atracado ao iate, apareceu na vila, vindo do lado de Sintra, um automóvel com revolucionários civis, armados de carabinas e munidos de bombas, que disseram ser para atirar para a praia se tivessem chegado a tempo do embarque (…)".

O turismo desempenha um papel fundamental na vida e na economia da Ericeira. Sendo a única reserva mundial de surf na Europa e a terceira no mundo, a freguesia é conhecida mundialmente pelas condições ideias para a prática de surf e bodyboard, em particular nas praias da Foz do Lisandro e de Ribeira D'Ilhas, tendo nesta última passado uma das etapas do ASP World Tour. Nos últimos anos tem-se assistido ao aumento de instalações de apoio à pratica destes desportos, desde centros de treino, hostels para surfistas, entre outro tipo de infra-estruturas.
A vila beneficia da sua proximidade à cidade de Lisboa e também da construção da auto-estrada A21, sendo o local ideal, para milhares de pessoas que moram na capital e arredores da mesma, passarem o fim-de-semana, aproveitando a óptima gastronomia local e a tranquilidade da pitoresca vila e fugir das sempre cheias praias da Costa da Caparica e da Linha de Cascais.
O Sumol Summer Fest, maior evento de música reggae do país, realiza-se todos os anos no Ericeira Camping, no mês de Junho, trazendo milhares de pessoas, maioritariamente jovens, à Ericeira.
As praias e os pesqueiros, bem assim como o património monumental e o gastronómico, com base numa variedade de peixes e mariscos, constituem os seus maiores atractivos.

Festas e romarias 

Festa de S. Sebastião (Domingo mais próximo de dia 20 de Janeiro)

  • Festa de S. Vicente (22 de Janeiro)
  • Procissão do Sr. Morto (Sexta-feita Santa)
  • Festa de S. Pedro (Padroeiro), (28 de Junho)
  • Feira de Santiago ou dos Alhos (25 de Julho), (actualmente só se realiza a feira dos alhos, a de Santiago foi extinta pela Junta de Freguesia)
  • Festa da N. Sr.ª da Boa Viagem (3º Domingo de Agosto)
  • Festa do Sagrado Coração De Jesus (Agosto)
  • Festa da N. Sr.ª da Conceição (8 de Dezembro)
  • Festa da N. Sr.ª da Nazaré (realiza-se de 17 em 17 anos; a próxima será em 2016)
  • Festival de Surf na Praia da Ribeira d'Ilhas
  • Festa de consagração como reserva mundial do surf
  • Em Agosto de 2011 foi realizada a festa de bacalhau




Dominada a Sul pela Serra de Sintra, a Ericeira tem a seus pés quatro praias banhadas pelo Atlântico. Esta privilegiada localização leva a que a vila receba milhares de veraneantes, à procura do Sol, das praias, da imensa beleza paisagística.







Reza a lenda que o nome Ericeira significa, na origem, "terra de ouriços", devido aos numerosos ouriços do mar que abundavam nas suas praias. No entanto, investigações mais recentes apontam o ouriço caixeiro e não o do mar como inspirador do nome. Com a descoberta de um exemplar do antigo brasão da Vila, hoje no Arquivo-Museu da Misericórdia, confirmou-se que o animal ali desenhado é, de facto, um ouriço caixeiro, espécie que evoca a deusa fenícia Astarte. O que dá razão à tese anteriormente avançada por Manuel Gandra, segundo a qual a origem do povo da Ericeira remonta aos fenícios.
A história da Ericeira remonta, assim, a cerca de 1000 a.C. O seu primeiro foral data de 1229, concedido pelo então Grão-Mestre da Ordem de Aviz, Dom Frei Fernão Rodrigues Monteiro, que assim instituiu o Concelho da Ericeira.
É na carta de foral que surgem as primeiras referências aos pescadores da Ericeira, estando bem presente o cuidado do legislador em acautelar os direitos e deveres dos que se encontravam sujeitos às tutelas dos donatários:"(...) Quanto aos pescadores, dêem a vigésima parte do pescado que matarem no mar. De doze peixes, levem um para conduto antes de darem a vigésima parte, e se matarem congro, comam-no. Do pescado que encontrarem morto, não paguem foro. De baleia, dêem a vigésima parte. De toninhas e delfins sem impedimento, em ocasiões de fome (...)".
No século XIII, a baleia, toninha e delfim eram as espécies mais pescadas, tendo dado lugar, já no século XVI, à raia, ao rodo valho e à pescada. Em 1547, D. João III concede aos pescadores ericeirences a permissão de venderem o peixe "a olho" e não "a peso", costume que ainda há 30 anos se mantinha.


Novas cartas de foro concedidas por D. Afonso IV, em 1369, e por D. Manuel I em 1513, vieram nobilitar a vila concelhia, doada pelo mesmo D. Manuel ao infante D. Luis e por este ao seu filho natural D. António, prior do Crato, forte opositor à tomada do poder real por Filipe II de Espanha. Em 1589, no Forte de Milreu, D. António fez uma gorada tentativa de desembarque de tropas com o objectivo de conquistar o poder.
Quatro anos mais tarde dá-se um episódio que ficou conhecido por "o Rei da Ericeira": um jovem ermitão da Capela de S. Julião, a sul da Ericeira, faz-se passar por D. Sebastião, o rei vencido em Alcácer Quibir, coroa a mulher como rainha, distribui benesses e castigos e concede títulos de nobreza. Acaba na guilhotina e os seus apoiantes nas galés.
Em 1855, na sequência de uma reordenação administrativa do território, a Ericeira deixou de ser concelho para ficar na dependência de Mafra, sede concelhia até aos dias de hoje.


Deve-se ao porto da Ericeira o desenvolvimento da vila, noutros tempos habitada quase só por gente do mar, que formou durante muitos séculos um grupo étnico-geográfico denominado jagoz, diferenciado dos restantes habitantes da região Saloia. O movimento comercial do porto da Ericeira tornou-o num pólo fundamental da economia da região. Relatos datados de 1834 dão conta de que nesse ano ali fundearam 175 embarcações, que ora transportavam produtos para a vila - principalmente cereais - que de ali eram distribuídos para o interior do país, ora os exportavam para os portos do Algarve, ilhas e outros - especialmente vinhos e seus derivados.
A Alfândega da Ericeira abrangia então uma área que se estendia de Cascais à Figueira da Foz, sendo o seu porto considerado o quarto mais importante do país, atrás dos de Lisboa, Porto e Setúbal. Com a construção do caminho-de-ferro do Oeste e o desenvolvimento dos transportes terrestres, o porto da Ericeira foi perdendo importância. Nos finais do século XIX instalaram-se na vila armações fixas de pesca da sardinha que vieram alterar as antigas características piscatórias, mas que tiveram um papel sócio-económico importante, chegando a empregar, só na faina do mar, à volta de 500 homens.
Mas se a vila deixou ao longo do século XIX de ser um entreposto comercial, nunca perdeu a visita de "forasteiros", desta vez de veraneantes que passaram a procurá-la devido às suas características climáticas e ao alto teor de iodo das suas praias. Charles Lepierre, engenheiro químico, considerou-as, há 50 anos, como "o fulcro da maior concentração de iodo de toda a costa portuguesa". Hoje, a Ericeira continua a ser uma das zonas do litoral do país mais procuradas para banhos.






O episódio da fuga de D. Manuel II para o exílio, da Praia dos Pescadores, na Ericeira, tornou-se num marco da história da vila no último século. Eram cerca das 15 horas do dia 5 de Outubro de 1910 quando D. Manuel II, então com 20 anos, acompanhado da mãe, a rainha D. Amélia, e da avó, a Rainha D.Maria Pia, vindos de Mafra, surgiram de automóvel na vila para embarcarem no Iate D. Amélia, fugidos da revolução republicana que estalara na véspera em Lisboa. Os pormenores do que se passou naquele dia na Ericeira são-nos relatados por Júlio Ivo, presidente da Câmara Municipal de Mafra no tempo de Sidónio Pais, e que em 1928 inquiriu a população da vila:"(...) os automóveis pararam e apeou-se a Família Real, seguindo da rua do Norte para a rua de Baixo, pela estreita travessa que liga as duas ruas, em frente quase da travessa da Estrela (...) Ao entrar na rua de Baixo, a Família Real ia na seguinte ordem: na frente El-Rei D. Manuel; a seguir, D. Maria Pia, depois, D. Amélia (...) El-Rei e quem os acompanhava subiram para a barca, valendo-se de caixotes e cestos de peixe (...) O sinaleiro fez sinal com o chapéu, e a primeira barca, Bomfim, levando a bandeira azul e branca na popa, entrou na água e seguiu a remos, conduzindo El-Rei (...)
A afluência nas Ribas era imensa. Tudo silencioso, mas de muitos olhos corriam lágrimas (...) El-Rei ia muito pálido, D Amélia com ânimo, D. Maria Pia, acabrunhada (...) Ainda as barcas não tinham atracado ao iate, apareceu na vila, vindo do lado de Sintra, um automóvel com revolucionários civis, armados de carabinas e munidos de bombas, que disseram ser para atirar para a praia se tivessem chegado a tempo do embarque (...)".


Localizada no extremo Norte da Vila, sobre as ribas que dão para o mar, a ermida de São Sebastião apresenta uma forma hexagonal e de cúpula em gomos. O interior é totalmente revestido a azulejos polícromos, com motivos florais e geométricos, tratando-se de uma verdadeira jóia da azulejaria seiscentista. Desconhecendo-se a data concreta da sua edificação, a ermida surge mencionada num documento datado de 17 de Setembro de 1567, no qual é feito o pedido de "alevamtar altar na irmida de Sam Sebastiam pera se nela dezer missas e se celebrarem outros ofícios devinos". Em 1678 era manifestada a necessidade de reedificar a estrutura já existente, tendo sido por essa altura acrescentado o espaço que hoje compõe o altar e sacristias. O retábulo do altar, em mármores embutidos de diversas cores, ao gosto italiano, apresenta uma imagem do mártir S. Sebastião, já do século XVIII. A ermida surge diversas vezes citada nos registos de visitações paroquiais por se encontrar devassada e nela se abrigarem mendigos, e, aos dias santos, se fazerem bailes e banquetes pelos membros da confraria de S. Sebastião - formada apenas por rapazes solteiros -, o que foi proibido terminantemente na visitação de 1702.

 

De acordo com investigações levadas a cabo pelo historiador Sérgio Gorjão, a ermida deveria ser mais um local de encontro e confraternização do que propriamente um lugar com vocação para o culto, o que se torna compreensível à luz do ambiente cultural e religioso da época, em que as festas do calendário litúrgico eram a base fulcral das actividades de recreio e diversão. Será esta uma explicação razoável para o facto de o templo ser tão ricamente ornamentado, apesar de se encontrar tão afastado do burgo.